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Poema: SONETO DO TRABALHADOR

SONETO DO TRABALHADOR*

O homem que vive na labuta e na armadilha do dia,
Convive com tudo e o nada, com seus sonhos em jaula,
Almeja o que sonha e contrata-se com sua calma,
É o que é, pois não pode ser quem é nesta trilha que lhe vicia.

É gado arrebanhado que pelo vaqueiro em rédea curta brinca,
Se desgarrado for, vai sofrer com a dor dos que te privam,
Vive escancarado, entregue e desmantelado, aos que fingem que te mimam,
É coitado, nada pode, sequer se sacode, vive e morre sem briga.

É assustado, violentado e explorado, vive nesta sina,
De elefante preso, vive ao anseio do medo, tímido de si mesmo,
Acorrentado e oprimido, vive sem latido e sem nenhuma cisma.

Não é senhor de si mesmo, vive em falsa calmaria e em desassossego,
Do terror e de seu desejo, de chegar à chegada de sua bela e previsível vida.
É bêbado agonizante que nada faz ao que te consome paulatinamente em segredo.

Diego Fonseca Dantas
22.02.2010

*Registrado no escritório dos Direitos Autorais da Biblioteca Nacional - RJ

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