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Poema: DISPENSO-ME

DISPENSO-ME

Dispenso-me desta terra,
Desta estrutura,
Desta selva,
E das suas agruras.
De sua relva,
E nós, no mar de lama,
De rato e de merda.

Dispenso-me de suas práticas,
Do seu dinheiro sujo,
De suas facadas,
Dos seus tiros de bala,
De sua corrupção,
De sua laia,
Da sua estirpe,
E do seu manjar, de se locupletar,
E nós, rindo do seu ultraje,
Nós, mesmos, que somos um bando de covardes.

Mas, dispenso-me a uma exceção.
Não dispenso-me,
De lutar,
De morrer,
De sangrar,
Para viver,
E matar,
A sua relva,
O seu manjar,
Para que possa, se locupletar de sua própria merda,
Sem poder, sem seu sujo dinheiro, sem suas práticas intrépidas!
E viverei, dispensando atenção aos seus planos,
Para procurar-lhe às suas agruras,
Que nos dispensa, hoje, sempre, e a todo e infernal instante.
E...
Dispenso-lhe toda à nossa atenção, para que seu poder ímprobo e Corrupto,
Esteja neste mesmo mar que nos visita, todo santo dia,
De merda, de rato e de lama.

14/03/2011

*Registrado no escritório dos Direitos Autorais da Biblioteca Nacional - RJ

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