Pular para o conteúdo principal

Poema: MERCADO DA ALIENAÇÃO

MERCADO DA ALIENAÇÃO*

Precisamos de mais tempo,
Para trabalhar o que nos está por dentro,
Trabalhar menos em linha de produção,
Trabalhar só o suficiente,
Sem explorar a alienação.
Ou o que é pior,
Sem alienar à exploração.

Precisamos de tanta coisa,
Mas ao mesmo tempo, básica,
Para o nosso bem-estar,
Nossa dignidade e nossa concha.
Precisamos trabalhar com suficiência,
E não nós, sermos a insuficiência,
Para a nossa sobrevivência de comer,
Dormir, beber e morar com mínimo de decência!

Precisamos sair do exagero e culto ao consumo,
A essa sociedade da produção pela produção.
Da exploração pela exploração,
Do resultado pelo resultado,
E o homem, que já é um coitado,
Cotado na bolsa,
Como antigamente e explícito, no mercado de escravos,
E explorado, pelo outro homem,
Como era também, com o capataz e o capitão do mato,
E, hoje, ao explorado, achacado, pela falta de educação,
Que se reduz a farelo de pão em detritos do lixão
E que reluz ouro para poucos, fartos, empanzinados
E insaciáveis plutocratas deste infinito plantão!
Enquanto o homem continua pregado,
No pregão da exploração,
No mercado onde o homem é explicitamente explorado,
Pelo outro homem, pelo sistema e por sua alienação.

15/03/2011

*Registrado no escritório dos Direitos Autorais da Biblioteca Nacional - RJ

Comentários

  1. Ola Diego

    Adorei seu poema

    me fez lebrar de um documentario chamado a servidão moderna um documentario frances muito bom.

    Sobre a escravidão e a servidão moderna acho que este segundo tem um requinte de crueldade maior já que seu rebanho se sente livre e não o é.

    Até Alan

    ResponderExcluir
  2. Oi Alan! Fico feliz por ter gostado..é um espécie de poema-desabafo, de como vivemos mal nesta vida, mas procuramos nos iludir e sonhar...com um mundo melhor. Aliás, é a única coisa que de fato temos na caixa de pandora: A esperança.

    Vou tentar achar esse documentário. O pior da alienação é que ela aliena à própria alienação, ou melhor: os alienados, que acham que podem ter tudo no final da vida, mas em um paradoxo, não tem o principal: liberdade, que advém condicionalmente do autoconhecimento: da liberdade crítica de se pensar.

    Abraços,

    Diego

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Poema: O Analfabeto Político (Bertolt Brecht)

"O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo." Bertolt Brecht

A crítica ao ENEM e os “galhos fracos” da Sociedade

A execução de mais um exame nacional dos estudantes, ocorrido no sábado, 06 e domingo, 07 de Novembro e seus erros, grotescos e primários, por sinal, coloca-nos mais uma vez com o dissabor de gastar mais tempo com o galho fraco da sociedade, ou seja, com seus conseqüentes, do que com suas causas e seus reais problemas. É de se notar que desde 1998, quando o ENEM foi aplicado pela primeira vez, o quanto se aprimorou nesta matéria, como exame nacional do ensino médio e como ele, através de precisas e necessárias transformações, se estruturou para chegar ao seu viés e ordem do dia atual, qualificar os estudantes, instituições e práticas do ensino médio, mais ao mesmo tempo, proporcionar a isonomia ao estudante brasileiro que almeja adentrar à porta de acesso ao ensino superior, principalmente das universidades federais e estaduais. Um exemplar do princípio de universalização deste acesso ao presente dos nossos filhos e ao futuro dos nossos netos. É de se esperar insatisfação, recursos, ...

Lançamento: POESIA - LIVRO: BRASIL SOCIAL - 19/03 (Segunda-feira) às 18:00hs

Para marcar na AGENDA, hein! Lançamento do meu livro de Poesia BRASIL SOCIAL - A verdade desvelada - de Diego Fonseca Dantas - pela editora Ibis Libris, será dia 19/03 (Segunda-feira) às 18:00 hs no endereço abaixo: Livraria República do Bardo Av. Rainha Elizabeth, 122 lj. E Copacabana, Posto 6 Informações técnicas do livro no catálogo da editora e pela LIBRE: http://www.libre.org.br/titulo_view.asp?ID=12040 Grande abraço,