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Poema: TOMAR-LHE ÀS VÍSCERAS


Toma às vísceras do capital,
Com o preâmbulo, da base do castiçal.
Trata-o como o pior inimigo e faz dele chacal,
Toma com sua mão forte, a destra ou a canhota,
O seu coração virginal,
Dá-nos desta forma, batida de plataforma,

Para nossa vida de viés social,
Inutiliza o com todas as forças, pernas, e braços,
Para nos ensinar a viver de forma tangível-igual,
Arranca sua garganta,
Da forma que nem a mais força tacanha,
Ousaria se valer da raiva inglória,
Com mão forte e ímpeto passional.
Arranca-lhe às vísceras,
Numa batalha inimiga com aquele que lhe toma,
Todas as formas, todas as vias,
Toda comida, água e da vida, os mananciais!

Toma-lhe às vísceras, após tomarmos o coração,
E toda à sua fonte cerebral.

Toma do capital, suas vísceras,
Das vísceras, da vigília,
Dá aquilo que nos faz,
Todo santo dia, barroco,
Romântico, sonhando,
Mas em vida real,
Vivendo muito mal.


17/12/2010.

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